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Segundo dia de Simpósio -"Maria na obra joanina"

Postada por: FELIPE SILVA
Cadastrada em: 22/05/2017 13:25:35

O Simpósio Teológico Mariano reuniu  na segunda noite de evento (18) um público de aproximadamente 400 pessoas. Visando proporcionar uma maior experiência dos fiéis com o amor de Maria o encontro teve como cenário o Salão Paroquial de Fátima. O público presente acompanhou uma rica e profunda conferência conduzida pelo Arcebispo Dom Jacinto Brito que abordou a temática sobre “aquela que foi modelada pelo Espírito Santo para a grande missão de mãe de Jesus Cristo e da Igreja e recebeu a missão de nos colocar plenamente a disposição do Espirito Santo”, afirmou ele durante a palestra.

Ao iniciar a abordagem do tema “Maria na obra joanina”, Dom Jacinto reforçou que a intenção era falar de tudo aquilo que a tradição da Igreja consignou como sendo a obra do apóstolo João. “Não poderia deixar de inserir nesse contexto o quarto evangelho, as três cartas joaninas e o apocalipse”, antecipou sua amplitude de abordagem.

O arcebispo orientou o público presente que nas explanações da conferência não haveria de ter espaços para especulações exegéticas, pois, segundo ele, “ há diferentes correntes de pensamentos e interpretações. Mas ratifico que é comum na nossa Igreja uma tradição primitiva. Desde o Século II, atribui-se o quarto Evangelho a São João e por isso esse será, nesta noite, o objeto de nossas reflexões”, pontuou.

A conferência com foco no Evangelho do discípulo que repousou a cabeça no peito de Jesus na última ceia é um texto importante porque se trata de alguém que esteve bem próximo de Jesus e, como bem afirmou no início de sua fala, Dom Jacinto ratificou que as “as cartas são atribuídas a João, com a confirmação de autores reconhecidos na época. Podemos citar vários, entre eles  São Justino, Eusébio de Sesariei. Este último autor eclesiástico  esclarece, por exemplo, o termo “ancião” presente na carta e aponta São João como autor destas cartas, pois ali ele é chamado, numa tentativa de esconder sua identidade através do termo ancião”, explica o Arcebispo.

Na abordagem, o pastor explana que  as três cartas guardam uma forte ligação com o evangelho, pois “podemos sentir algo de comum nos termos e nos argumentos e principalmente no estilo do evangelho e das cartas”, afirma.

Dom Jacinto ratificou também que não havia necessidade de imaginar que João escreveu de próprio punho as cartas contidas no Evangelho. “Não é o objetivo deste momento. Mas as redações sucessivas não impedem a nossa recepção dea autoridade do evangelho e das cartas. Estamos diante de livros que são canônicos e foram aceitos pela Igreja então não existe dificuldade no colhimento pois para nós é a Palavra de Deus e esse é o nosso foco no dia de hoje”, disse.

E algo de fácil entendimento e que facilitou o entendimento do público presente foi o fato de as três cartas, o 4º evangelho e o apocalipse, se atentamos, alertou o Arcebispo, essas estão colocadas nesse período do fim do primeiro século, entre os anos 95 e 100 e como disse Dom jacinto “isso é importante, pois tudo é muito próximo da ressurreição se imaginarmos que a se deu pelo ano 35 e 37. Vejamos que não é muito tempo”, indagou os fiéis.

Bastante esclarecedor, nosso Arcebispo ratificou que a própria visão do homem, no passado era muito oral e isso passava de um para outro num cenário de grandes dificuldades. Dom Jacinto justificou e instigou os presentes a refletirem: “ imagine uma bíblia escrita em pergaminhos; em papiros, de em couro de carneiro para vc carregar de um lado para outro? “, questionou. Então, continuou o arcebispo “o significado dessa obra para o nosso tema de hoje é porque estamos falando de um evangelista que é mais histórico. João se utiliza de uma teoria poucos aceitavam, mas ultimamente a maioria dos estudiosos aceita e já se ver que os arqueólogos quando querem saber algo da Terra Santa vão atrás de João e as indicações se  confirmam”, afirma.

A história é sempre uma linha interpretativa e isso foi muito evidenciado no conteúdo abordado na conferência. Os participantes puderam testemunhar que São João fez sua transmissão de fatos influenciado pelo antigo testamento, como afirmou o arcebispo em sua fala.

“A própria palavra Evangelho é boa nova e ela não é uma redação. Até porque ninguém tem a voz de Jesus gravada e não havia algo naquela época. Uma pessoa que fosse escrevendo e assim o evangelho é uma boa nova. E a redação foi sendo feita para guardar a memoria e não se perder a fidelidade e doutrina. Este foi submetida a comunidade de fieis para se permitir ouvir ao próprio Cristo e reconheceu como seus aqueles livros. Tanto assim que tantos outros livros foram escritos na época mas não foram aceitos como a bíblia, embora contenham verdades”, pontuou.

Para reforçar que a Obra joanina, especialmente o livro do Êxodo, tem uma forte influência deste Evangelho Dom Jacinto em suas explanações, convocou os fiéis pensarem na figura do cordeiro e a forma como São João enfatiza esta figura.

“Pensemos, por exemplo, quando João enxerga Jesus passando na companhia de discípulos e diz:  ‘Eis o cordeiro de Deus’. E depois o momento em que Jesus Cristo morre na cruz. Isso acontece às 3horas da tarde, exatamente a hora que os cordeiros eram imolados e João faz questão de dizer que não foi quebrado osso algum. Recordam-se? interroga o arcebispo para continuar e esclarecer. Um dos requisitos, como está no livro do Êxodo é que a escolha de um cordeiro para ser comido na páscoa é que esse fosse macho,  de um ano e sem nenhum defeito”, esclarece.

E toda essa rica abordagem com foco para o contexto histórico tem a intenção de ajudar no entendimento da Obra Joanina e seu significado. É nessa etapa das discussões e apresentações da conferência que ficou evidente o significado da Obra.  Dom Jacinto baseia-se na história para iniciar o tema da mulher e afirma: “Por isso cantamos quem é esta mulher; por isso o roteiro para o mês de maio é profundamente joanino e vai ser um dos pontos básicos do aprofundamento desta noite. Iniciemos pela mulher de Genesis, suscita Dom Jacinto: “Nós podemos perceber que o texto que vai iluminar a nossa reflexão na obra joanina […] entre ti e a tua mulher. Esta te ferirá a cabeça e tu me ferirás o calcanhar[…]

Utilizando-se de imagens e recursos tecnológicos o conferencista exibiu slides com imagens para reforçar o conteúdo. Ao citar Dom Murilo Krieger (primeiro conferencista do Simpósio e Arcebispo de Salvador) nosso Pastor adentra de fato no mistério da redenção e que tem a cooperação desta mulher.

“Vejamos que Jesus tem nas mãos a cruz e a cruz como ferrão fere de morte a serpente e Maria pisa também na serpente. As nossas imagens como disse ontem Dom Murilo,as vezes confunde. Que Nossa Senhora pisou o demônio sabemos. Afinal ele nunca teve poder sobre ela.Mas a apresentação do dogma da imaculada é exatamente isso:  a cruz é o ferrão; a redenção; a morte e ressurreição de Jesus. E Jesus é a causa da morte do maligno que fere de morte o dragão. Maria participa desta vitória sendo redimida por ele e colaborando. Ela é cooperadora do Mistério da redenção. Ela não pisa a cabeça; ela pisa para dizer que ele não tem poder sobre ela e portanto quem fere de morte é o próprio Cristo”, explica.

As nossas imagens foram foco da abordagem e os títulos de Nossa Senhora ratificados na fala de Dom Jacinto, mas com ressalvas e atenção para a correta consciência dos fiéis de que o filho é quem é o autor e esmaga a serpente. E o arcebispo vai durante toda a explanação citando capítulos de João para facilitar o entendimento.

“O verbo da vida que ouvimos com nossos ouvidos nós vos anunciamos para que cremos anunciamos a vida. Veja que o tema da fé perpassa essa obra joanina seja no início ou no final do evangelho.   E na primeira carta que é uma perola também se encontra a finalidade que a escrita serve com a mesma intenção a de dar testemunho para que de fato Jesus Cristo é aquele em que nós cremos”, afirma.

Até aqui Dom Jacinto ressalta um panorama de maior abrangência e justifica fazê-lo assim por que é “aparentemente inexpressivo as citações de Maria. João só fala e a cita duas vezes em seu evangelho e isso nos causa admiração. Ele que conviveu tão de perto falar só duas vezes. São Lucas, por exemplo, fala muito mais e não era nem apóstolo”, admira-se.

Mas Dom Jacinto prossegue em sua rica fala e atesta convicto que tudo faz sentido:  “São João é econômico nas palavra, mas é rico e profundo naquilo que  coloca e se expressando de forma popular, permitam-me,  dá pano para as mangas porque de forma sábia”, ratifica e pede para que os presentes para as leituras da duas passagens (Jo 2  1-11 e Jo 19 25- colocação do Evangelho de João Bodas de Canãaaa e Maria ao pé da cruz.

A partir desta etapa da conferência as afirmativas do Arcebispo ganham um reforço bastante esclarecedor o que facilita a compreensão. Segundo ele “Nossa Senhora é citada e os estudiosos da bíblia acrescentam que no quarto evangelho o evangelista usa um recurso literário que se chama inclusão semítica. Entende-se esse recurso como algo que permeia oi início e o fim. E compreendemos que São João valorizando o início, sua vida pública e o final de sua vida neste mundo e esta é chamada por ele mulher”.

Tendo como reforço a Palavra, as explanações da Obra Joanina na fala do Arcebispo são técnicas e de profundo conhecimento. E é nesse momento que Dom Jacinto reforça o não esquecimento do Evangelista quanto a citações de Maria, a mãe.

“Em João capítulo 2 podemos enumerar vinte e quatro vezes ‘Maria, mãe de Jesus’ ou então ‘Sua mãe também’. Então, não é porque esqueceu. Há uma intencionalidade em São João. Há uma razão profunda essa singularidade do apelativo mulher que está ligado e é explícito em Genesis 3. Neste, por 28 vezes Maria é chamada ‘A mãe de Jesus’.  E continua sua interpretação Dom Jacinto. “Nós só podemos concluir que ai existe uma mudança de parâmetro que é o fato de a mãe biológica ser substituída por um seu papel individual; por um papel universal. Va ter um papel social na história da salvação”.

O Evangelho de João traz de maneira forte o nome mulher como um ser ligado a vida por isso échamada de “mãe dos viventes” e de acordo com Dom Jacinto é aí onde São João expressa sua consideração de “Maria como mulher”.

Após abordar as três cartas e o Evangelho de João, Dom Jacinto chega em sua explanação no Apocalipse onde também se atribui a autoria ao Evangelista João e onde também se se usa o mesmo termo “se fala de uma mulher no capítulo 12. Um grande sinal apareceu no céu”. Esse texto afirma o Pastor, exto nos aproxima de João 2 bodas de canaa e João no calvário e tendo como raiz Genesis  3-15. Mais eis que surge uma pergunta:  o autor do apocalipse se refere a Igreja ou a  Maria?

“ Hoje essa duvida não existe porque Maria está na Igreja e a Igreja está em Maria. Não há uma separação. Não se pode entender o Cristo sem Maria. Ela lhe deu historicamente a condição humana. Também não pode se entender a Igreja sem o Mistério da encarnação do qual Maria faz parte. Na verdade o princípio mariano da Igreja é mais importante que o petrino porque sem Pedro Jesus Cristo podia fazer a Igreja, mas sem Maria não. E esse é fundamento sólido bíblico: Nossa Senhora não é para nós uma devoção. Podemos ter devoção a São José, São Francisco de Assis, mas Nossa Senhora  é algo que não se pode descartar . Ela faz parte da tu da Igreja porque ela está ligada ao Mistério da encarnação, redenção”, afirma.

O Arcebispo continua afirmando que ela não é um apêndice. É como uma viga e por isso compreende-la é o mesmo qye mergulhar no Mistério da salvação. É um olhar de grande alcance e profundidade.

“O texto de Atos 1 12-14 antes apresenta Maria no meio da Igreja, junto com os irmãos E também está depois na ressurreição. Então a sua presença não é descartável. Podemos ter devoção a Maria mas não é optativo. Ela é parte estrutura l da vida de Cristo”, atesta.

Dom Jacinto prossegue com sua fala fazendo um alerta de cuidados e ratificando que Maria é uma só. “Não podemos fazer multiplicidades da pessoa de Maria. A Igreja sabiamente recomenda que haja apenas uma imagem de Nossa Senhora em cada Igreja e que isso evita esse equívoco e gera situações desconfortáveis. Fato que confunde as pessoas e também gera oposição em quem não partilha a mesma fé”, reforça.

Então, todas as indicações tem sentido e por isso São João não fala em milagres e sim em sinais. “ela cumpre aquele papel confiado às mães. E esse papel que é histórico e teológico da revelação de Cristo na Obra Joanina se confirma e que finaliza a fala do Arcebispo como conferencista da noite.
Por Vera Alice Brandão