HISTÓRIA

DE FÁTIMA A OUTROS BAIRROS

A instalação da Universidade Federal do Piauí no bairro Ininga, no início da década de 1970, fez aumentar a valorização dos terrenos do seu entorno, atraindo ainda mais novos moradores para a área da Paróquia de Fátima.
A partir de então, essa área nova da cidade passou a crescer em ritmo acelerado. A abertura de novos loteamentos transformou em cidade as fazendas e sítios antes ocupados com vacarias e plantios de frutas. E até a cerâmica da fazenda Ininga, do Sr. Noé Fortes, considerada tão longe do centro da cidade nos anos 60, foi incorporada ao perímetro urbano desta nova área de Teresina. As novas ruas e avenidas iam sendo abertas, derrubando a mata, paralelamente à margem da direita do rio Poti em direção ao norte, numa larga faixa, até a atual avenida Presidente Kennedy.
A energia elétrica que, na década de 60, passava por essa região, diretamente para a Cerâmica Fortes, ampliou-se, a partir dos anos 70, para o uso doméstico, de forma generalizada.
Outros serviços urbanos foram se instalando e atraindo cada vez mais novos moradores, aumentando o povoamento e a urbanização desse novo espaço, que ficou conhecido como a "Zona do Jóquei".
No processo inicial de expansão, a especulação imobiliária realçava principalmente sua temperatura mais amena, como marketing de valorização, o que contribuiu para que ela passasse a ser considerada, por todos, como a zona mais "nobre" da cidade. Aos poucos ia se firmando a idéia de que "morar no Jóquei dá status". E, assim, a população mais abastada passou a se transferir para essa nova área urbana, ampliando o povoamento para além do bairro Jóquei Clube, onde foram se formando, dentre outros, os bairros de São Cristóvão, Fátima, Ininga, Planalto Ininga, Horto Florestal, São João, Novo Jóquei, Piçarreira, Satélite, Vila Bandeirante, Anita Ferraz e outros.
Destaca-se que nessa zona leste também passaram a morar pessoas pobres, principalmente os operários dessas tantas construções, que foram se instalando em alguns espaços no interior e na periferia desses novos bairros de construções elegantes. Alguns até ocupando leitos de ruas e invadindo terrenos públicos e particulares que estavam desabitados, iniciando um processo de favelização crescente. Desta forma, foi se formando no entorno de Fátima, uma zona da cidade em que a população convive, em maior escala, com contrastes econômicos e sociais, gerados pelo modelo político de administração adotado no Brasil. E, assim, estão lado a lado e frente a frente, os ricos e os pobres, os pouco alfabetizados e os doutores, os que moram bem e os que moram precariamente.